India

Wednesday, September 06, 2006





Tuesday, September 05, 2006

Afinal ontem chegamos tarde de Agra e ja nao foi possivel ir a internet. Escrevo estas linhas ja no conforto asseado de Londres, e tambem por isso tenho que me despachar porque a internet aqui do aeroporto e 10p por minuto... e so tenho uma libra. A pressao e tanta que nem sei o que dizer.
Comecamos por ontem: Eu tinha medo que o muito badalado e esperado Taj Mahal pudesse ficar aquem das muitas espectativas que tinhamos, mas tal como ja tinha acontecido no Machu-pichu, afinal so mesmo la estando e que se pode sentir a beleza daquela declaracao de Amor (O Taj Mahal e o tumulo da esposa do... n me lembro do nome, nem tenho tempo para me lembrar) Valeu muito, muito a pena.
Hoje fizemos um voo muito tranquilo para Londres, 'so' 8 horas e com direito a ver filmes e canja para nos.
Queria fazer um balanco de toda a viajem mas nao vou ter tempo para isso , pelo menos nao aqui, faco depois de chegar. Beijinhos e abracos para todos voces que nos acompanharam nesta muito interessante e sempre estimulante viajem pela India. Namaste!

Sunday, September 03, 2006

Fechamos o ciclo, voltamos a Delhi. Em tres semanas os nossos olhos ja viram muita India, e ja vem as coisas de maneira diferente. Agora que voltamos ao primeiro sitio (estamos no mesmo hostel) onde estivemos nos primeiros dias e curioso ver que a nossa percepcao das coisas mudou. Tudo parece menos sujo, menos mal cheiroso, menos caotico. Mas esta igual, nos e que nos fomos habituando a viver com a sujidade, o mau cheiro e o caos. Vai ser engracado voltar e achar tudo tao limpo, tao organizado, tao civilizado em Portugal.
Chegamos hoje de aviao as quatro e so tivemos tempo de dar uma volta pelo bazar. Tambem, nesta ponta final da viagem, com tanto para tras e tao pouco para frente ja nao sentimos aquela necessidade de ir ver tudo, ja vimos tanto..
Amanha fazemos a ultima "visita", vamos a Agra ver o Taj Mahal, para acabar em beleza. A noite ainda devo ter tempo para fazer um ultimo post, antes de voltarmos.

Saturday, September 02, 2006


Bombaim retomou o seu nome original e agora e Mumbay. A chegada fomos logo brindados por uma forte (mas curta) chuvada e uma viagem de uma hora e meia de taxi atraves da cidade e do seu caotico transito de hora de ponta. Depois pouco mais fizemos, fomos pousar as malas ao Hotel, metemo-nos no McDonald’s mais proximo e voltamos para dormir. Hoje acordamos com sol e calor, apenas chuviscou um pouco ao fim da tarde; parece que escolhemos bem o nosso itinerario e fugimos as moncoes.
Ainda em Portugal varias pessoas nos disseram que nao iriamos gostar muito de Bombaim, mas nao entendemos muito bem porque, a cidade e muito mais agradavel, limpa e desenvolvida que Delhi. Ja nao se veem riquexos mas taxis e as pessoas na rua tem um aspecto mais.. limpo. De resto a cidade e muito mais a 'ocidental', muitos edificios altos (ha mesmo uma zona que vista a noite faz lembrar Manhattan), ruas largas e muitas arvores nas ruas, o que da um toque exotico a cidade, ruas com predios de 6 ou mais andares mas com muita vegetacao tropical.
Estamos hospedados na zona do forte, mesmo em frente da Victoria Station, uma enorme estacao de comboios de estilo Vitoriano onde chegam mais de mil comboios e 2 milhoes de pessoas por dia.
Hoje havia por ca os festejos do (ou da, ou por) deus Ganesh (filho de um Deus cuja cabeca fora cortada pelo Pai, que mais tarde se arrependeu e "colou" no lugar a de um Elefante.. uma trapalhada) encheram a rua de indianos, todos molhados/pintados com um corante vermelho qualquer, que iam dancando e rebentando petardos em procissao. A coisa pareceu um bocado esquisita e nos nao estavamos numa de ficar todos pintados entao nao lhes demos muita atencao, fomos a nossa vida. Passamos o resto do dia a passear descontraidamente pela cidade. Amanha aviao outra vez para Delhi.

Thursday, August 31, 2006


Um dos nossos objectivos era ir descendo para sul ate Goa. Disseram-nos depois que as moncoes estao fortes em Goa e que nao valia a pena arriscar. Sugeriram-nos entao Diu, e viemos.
Diu foi Portugal ate 1961, e ainda se ve muitas marcas da nossa presenca. No entanto e quase tudo ruina, aguentam-se o forte e a igreja, curiosamente o que de mais antigo aqui temos. Nao posso deixar de concordar com o meu Pai, um pequeno esforco de penetracao social economica cultural aqui nestes pontos de contacto entre Portugal e India seriam muito mais frutiferos para ambos que muitas reunioes.
Sera que devemos, reavaliar a nossa posicao atlantica, e mais que isso a nossa condicao unica de ponto de contacto entre a europa e varias partes do mundo, Americas, Africa e Indias? Sera que tendo liderado a primeira experiencia de Globalizacao podiamos aproveitar melhor essa vantagem e abrir caminho nesta ultima? (isto nao e discurso do PP?…ops! nao me levem a mal; as coisas andam realmente embrulhadas hoje em dia).
Vemos na cidade algumas alusoes arquitectonicas, nomes de estabelecimentos e uma ou outra toponimia antiga esquecida que nos remetem para Portugal. A caminhar pelas ruas encontramos uma estatua do nosso camarada Vasco, mas o da Gama! Ja vimos tambem um rapaz com bone de Portugal e camisola do Cristiano Ronaldo e dizem-nos que ainda ha quem saiba falar portugues, os mais velhos decerto. Encontramos tambem um rapaz Lisboeta de ascendencia Indiana que vem ca todos os veroes visitar familiares. For a isto a India ja nos esqueceu, de certa forma Diu parece ela propria esquecida pela India, e uma cidade pequena com maus acessos, longe dos centros do poder, e que tem no turismo a unica fonte de ruiqueza.
Ha varios hoteis e resorts mas a maior parte sem grande qualidade, e tem boas praias de areia. A agua do mar e sopa e esta um pouco escura e turva, nao sei se por ser epoca das moncoes e os rios carregarem mais sedimentos.
Por querermos um pouco de luxo (bons quartos, boa comida, piscina) viemos como ja tinha dito para o melhor daqui, o Radhika Resort em Nagoa beach, que fica a 10-15 km do centro de Diu, mas da cidade tambem ja nao precisamos, viemos aqui para descansar e alem disso uma manha ou tarde bastam para ver tudo o que ha para ver.
Esta e a ultima noite aqui, daqui vamos a uma terra relativamente proxima apanhar um voo interno para Bombaim onde ficamos dois dias e de Bombaim outro voo para Delhi. Os voos nao sao muito caros e vao nos fazer poupar dias de penosa viagem.

Wednesday, August 30, 2006

Nos anteriores posts ficou muito por contar. Fica sempre, e ha-de ficar. Por mais palavras que escrevea ou fotografias que tire a viagem e uma experiencia em nos mesmos, uma viagem tambem interior, e cada um faz a sua. Pessoa (um dos Pessoas, Bernardo Soares acho) defendia que toda a accao traz em si imperfeicao e nao agindo, nao viajando fisicamente, apenas usando a nossa mente e que poderiamos encontrar a perfeicao; Para mim ha a diferenca entre o dentro e o fora, o sonhado e o feito, embora a nossa percepcao seja sempre uma mistura dos dois. (acho que me deixei vaguear um bocadinho, e melhor ler o que esta para tras). Isto tudo so para dizer que vai sempre ficar muita coisa por dizer, mas que de facto falei pouco sobre os ultimos dias antes de vir para Diu e mesmo sobre o aniversario da Ana. Agora ja passaram mais dias e nao me sinto capaz de falar de tudo, vamos aceitar as imperfeicoes e continuar de onde ficamos.

Apanhamos o comboio da noite Jaipur-Ahmedabad, AC, vagoes-cama, dez horas de viagem muito suave, fosse sempre assim e.. se calhar nao tinha tanta piada, nao? Nos achamos, desta vez. De Ahmedabad para Diu ja nao foi diferente. Nao ha ligacao ferroviaria e a longa viagem nos pessimos autocarros nao nos convenceu. Alugamos um taxi por 3000INR (50 eurios). Nao sei o modelo do carro, vou por uma foto e voces talvez me saibam dizer. A viagem mesmo assim foi longa, mas nos ja estamos calejados e correu rasoavelmente bem. De nota apenas um furo no carequissima e recauchutadissimo pneu que obrigou a uma paragem numa aldeia onde nao devem ir muitos turistas: comecaram a olhar dois, depois sete e a certa altura estavam para ai quarenta indianos a olhar para nos, alguns a dois metros. Olhares curiosos e afaveis, ainda nao sentimos nenhum tipo de inseguranca.

Em Diu instalamonos no melhor hotel, alias resort, daqui, e estamos a fazer ferias de papo para o ar e muito solinho no dito papo. Agora vou acrescentar as fotografias (ia por mas esta muito lenta a ligacao) e deixar o resto para amanha. Ficou outra vez muito por contar. Fica sempre, e ha-de ficar.

Vou voltar atras para comentar os comentarios. A pobreza e de facto muita e ve-se muita gente a dormir nas ruas destas cidades superpopuladas e nao sabemos como fazem para comer e para viver. A nivel economico, frio, de numeros parece que a India esta a crescer, e mesmo se o numero de pessoas em pobreza extrema diminuiu isso nao diminui a tragedia humana de cada uma dessas vidas (Mao dizia que uma morte e uma tragedia e um milhao uma estatistica, e com essa espeto duas alfinetadas, ou mais). As consideracoes porventura leves que fiz sobre a situacao dos indianos devem-se (talvez) a varias razoes:
O saber (ate nos proprios guias diz) que de facto a India e um pais em crescimento economico e que isso se reflete no nivel de vida medio (abstracto, estatistico) das pessoas. O esperar, por relatos de outros, uma experiencia muito mais chocante como turista, de assedio constante e confrontacao com a precaridade. E tambem porque mentalizado que estava de vir encontrar coisas terriveis (que de facto se vejo) tentei colocar-me numa posicao de testemunha, mas com algum afastamento emocional, em que evito me envolver e comparar as nossas condicoes. Sei que esta gente tem nocao da sua precaridade, quanto mais nao seja por comparacao, mas tendo vivido assim todas as suas vidas nao sei se isso interfere com a sua nocao do mundo ou do que e felicidade. Acredito que sintam tristeza, insatisfacao, melancolia, resignacao, mas sera que gente que luta diariamente pela sobrevivencia tem tempo ou disponibilidade mental para essas consideracoes? Vou deixar para depois essas reflexoes

Sunday, August 27, 2006

Afinal sempre tenho mais uns minutinhos e vou tentar escrever mais qualquer coisa. Claro que agora os tais detalhes e promenores vao ser sacrificados em nome da informacao propriamente dita.
Comeco por dizer que estamos a sair de Jaipur, cidade preponderantemente comercial que gostamos muito, mais limpa do que as anteriores e com bastantes coisas para ver e para comprar, os souvenirs estao todos aviados. Em tracos grossos, ontem sobresaiu a visita ao palacio do Maharaja, nao por nenhuma beleza excepcional em si, mas por realmente nos transportar para aquele imaginario 'mil e uma noites' e os absurdos luxo e opulencia que faziam a vida destes priveligeiados.
Hoje foi dia de compras, aconselhados pelo nosso riquexo driver esquivamo-nos ao bazar e fomos directamente as 'factories', armazens que suponho estejam um degrau acima na cadeia de abastecimento. Aqui brilhou a Carol como excelente comercial, mais cigana que os ciganos: falou discutiu, fez ma cara, voltou costas, escreveu no papel, marralhou e fez os precos baixarem como as folhas no outono. Claro que se nos venderam e porque fizeram lucro, mas duvido que Ingles e Alemao consigam estes precos) .
No entanto e com tristeza que digo que como em todo o lado os "produtos regionais" se encontram massificados por producao em serie e de fraca qualidade e que a maior parte das coisas que por aqui se vem, ja se vem em todo o lado, globalizacao oblige..
Aproveito a deixa da Globalizacao para falar a cerca da felicidade do povo:
Ha de facto pobreza generalizada e muita miseria por todo lado, mas (e agora falo pelo que tenho lido ai em Portugal, pois nao tenho termo de comparacao) a pobreza extrema tem diminuido nos ultimos dez anos e ha um aumento da classe media qualificada activa, fruto da para muitos unicamente negativa globalizacao. O boom da internet e das tecnologias electronicas nivelou o terreno de jogo da economia Mundial, trazendo oportunidades aos indianos, quer a nivel mais basico ao bastante qualificado, com a deslocalizacao de inumeras unidades industriais do estrangeiro. No entanto a pobreza ainda e muita.
Quanto a felicidade, conceito relativo, eu acho que se pode dizer que os indianos aparentam ser felizes, sao muito serenos e cordatos (no meio de tanta gente e tanta confusao nao se ve nunca desacatos) e parecem ser um povo com alguma inocencia. Outros ocidentais classificam-nos como espirituais, nao sei, talvez.
Agora ja nao tenho mesmo tempo, ja me estiquei um bocado, vou ser telegrafico: Partimos agora a noite para Diu, tentar fazer uma praiinha, desisitindo da ideia de ir a Goa por causa das moncoes no sul.

Fotos


A pedido de muitas familias que insistiam em ver mais fotos aqui vai uma mao cheia. Leio os comentarios com muito agrado e sinto como e dificil agradar a todos pelos continuos reparos/sugestoes que ai sao feitos e que fazem deste blog um meio de comunicacao mais interactivo. Por outro lado o tempo que demorei a seleccionar e 'uploadar' as imagens faz com que agora eu nao tenha tempo para escrever mais do que um breve comentario das fotos.






Legenda:
  1. desentendimento entre mim e a carol resolvido a Dragonball (rimou).
  2. Viagem de comboio para Dharmsala (salvo erro) a tal em que fomos empoleirados.
  3. Elefante indiano e Mulher Portuguesa (especies ameacadas?) em encontro de 3o grau.
  4. Prendas de anos (rosa e colar de flores) da Ana oferecidas pelo nosso condutor de requixo nestes 2 dias em Jaipur. Brilhou.
  5. Por do sol em Jaipur visto das muralhas do Tiger Fort.
  6. Foto no palacio do maharaja em estilo capa de disco (ainda tiramos mais, mesmo a "banda pop", mas ficaram demasiado parolas!