India

Wednesday, August 30, 2006

Vou voltar atras para comentar os comentarios. A pobreza e de facto muita e ve-se muita gente a dormir nas ruas destas cidades superpopuladas e nao sabemos como fazem para comer e para viver. A nivel economico, frio, de numeros parece que a India esta a crescer, e mesmo se o numero de pessoas em pobreza extrema diminuiu isso nao diminui a tragedia humana de cada uma dessas vidas (Mao dizia que uma morte e uma tragedia e um milhao uma estatistica, e com essa espeto duas alfinetadas, ou mais). As consideracoes porventura leves que fiz sobre a situacao dos indianos devem-se (talvez) a varias razoes:
O saber (ate nos proprios guias diz) que de facto a India e um pais em crescimento economico e que isso se reflete no nivel de vida medio (abstracto, estatistico) das pessoas. O esperar, por relatos de outros, uma experiencia muito mais chocante como turista, de assedio constante e confrontacao com a precaridade. E tambem porque mentalizado que estava de vir encontrar coisas terriveis (que de facto se vejo) tentei colocar-me numa posicao de testemunha, mas com algum afastamento emocional, em que evito me envolver e comparar as nossas condicoes. Sei que esta gente tem nocao da sua precaridade, quanto mais nao seja por comparacao, mas tendo vivido assim todas as suas vidas nao sei se isso interfere com a sua nocao do mundo ou do que e felicidade. Acredito que sintam tristeza, insatisfacao, melancolia, resignacao, mas sera que gente que luta diariamente pela sobrevivencia tem tempo ou disponibilidade mental para essas consideracoes? Vou deixar para depois essas reflexoes

1 Comments:

At 9:55 AM, Blogger Vermelhão said...

Gostei da análise feita sobre o quotidiano dos indianos.
Partilho dessa análise, porventura já uma reflexão!
A última interrogação,com a qual eu concordo inteiramente,e vale a pena transcrevê-la,

"Acredito que sintam tristeza, insatisfação, melancolia, resignação, mas será que gente que luta diariamente pela sobrevivência tem tempo ou disponibilidade mental para essas considerações?"

não deixa de ser inquietante, pois parece não existirem pontes, soluções!Fatalismo?
Mas não é só miséria! Vale a pena ler o artigo do Público de 29.08.2006 "Chegou o Verão indiano?" de E.Viassa Monteiro, a propósito da nomeação de uma mulher(!)-sim porque na Índia as mulheres ainda têm um estatuto de subalternidade-indiana de origem e formação,Indra Nooyi, para gestor executivo da multinacional PepsiCo, para verificarmos o quanto o futuro do Mundo passará por esse país, que já neste momento é um país que sangra dirigentes profissionais para as mais diversas empresas mundiais!Exemplos: Empresa de electrónica BenQ, Vodafone, McKinsey, United Airlines, HP, Citibank, Chevron,etc,etc...
Parece que na índia o Ambiente-em sentido lato-e a Pobreza são os principais responsáveis pelo "boom" de dirigentes tão qualificados!
Resumidamente:
..só o estudo é libertador, pois constitui a forma quase exclusiva de singrar; condições ambientais duras cram autênticos Forest Gump;a pobreza e a luta pela vida; o mercado indiano é ilimitado;...a convivência com a multietnicidade, pluralidade de religiões, variedade de matizes de cor de pele,os variados hábitos sociais ligados às castas despertam um agudo sentido de "saber estar no seu lugar", de respeitar a diversidade,de administrar os seus silêncios e entender os silêncios dos outros...Afinal, dirigir empresas é, na essência, dirigir pessoas.

Desculpai tanta introspecção!
BOA VIAGEM Aventureiros!

Beijinhos e abraços.

 

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